A renúncia anunciada mais cedo aqui no blog, do agora ex-deputado Junior Brunelli, merece uma reflexão a respeito do envolvimento de líderes religiosos, não apenas evangélicos, invariavelmente, em escândalos recentes no Brasil.
Sou um dos milhares de brasileiros que assitiram o famigerado vídeo da oração da propina (abaixo), protagonizado por Brunelli e Leonardo Prudente. Acho que não existe cena mais repugnante e emblemática da falta de escrúpulo de algumas pessoas na sanha de rechear os bolsos com dinheiro público. Creio que tal qualidade de gente deve ser defenestrada definitivamente da vida pública.
Mas temos que colocar algumas coisas no lugar aqui.
Primeiro há que se reconhecer uma profunda, digamos, preferência, em divulgar ao maus feitos de determinado agente público corrupto, com maior ênfase, se a religião professada pelo mesmo for de qualquer ramo do protestantismo.
Não acho que não devam ser denunciados, e acho que se forem culpados devem pagar pelo desvio da mesma forma que qualquer outro. O que me causa espécie é a inversão do foco da notícia. Senão vejamos: “Deputado evangélico é denunciado por corrupção.” É o que costumamos ver nessas manchetes. Dificilmente vemos isso: “Deputado espírita, católico, budista, mórmon, é denunciado por corrupção”. Acho que essa mídia tendenciosa corre o risco de nivelar as pessoas por baixo e com pouca justeza.
Nada tenho contra qualquer confissão religiosa, e acho totalmente legítimo que elas tenham representações nos espaços de poder. O que não dá pra admitir é que a conduta ilegal de qualquer de seus representantes reflita, como a imprensa quer passar, às vezes, a conduta de determinada religião como um todo.
Segundo. O que não passa na grande mídia é o trabalho positivo realizado pelas igrejas. Seja no campo social, ou espiritual, sabemos, mas às vezes não queremos enxergar, que elas ajudam o poder público ao retirar da criminalidade pessoas que teriam enorme potencial lesivo à sociedade. Também não é divulgado com a mesma veemência, a atenção que se dá às crianças desamparadas pelo Estado e que encontram nas entidades assistenciais religiosas o apoio para garantir uma sobrevivência digna, aliás, tarefa que é dos governos.
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