quarta-feira, 2 de junho de 2010

Patrões querem aumento de passagem se houver greve

Jornal Coletivo




Os rodoviários farão, no próximo domingo (6), uma assembleia geral com indicativo de greve. O encontro da categoria será no estacionamento do Conic e na ocasião os trabalhadores irão debater sobre a proposta salarial e votar pela greve. “Encaminhamos nossa proposta para os empresários no dia 1º de abril e até hoje não recebemos nenhuma resposta por parte deles, por isso faremos a assembleia”, explicou o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Lúcio Lima. A categoria exige um reajuste salarial de 20%, redução da jornada de trabalho de 40 horas semanais para 36, o fim das cobranças relativas a assaltos e o fim da meia jornada. Caso as negociações não avancem, os rodoviários prometem entrar em greve, por tempo indeterminado.

A paralisação pode atingir quase 1 milhão de brasilienses e afetar mais ainda o trânsito nas vias de acesso ao Plano Piloto que sempre ficam congestionadas pela manhã e no final do dia. Uma alternativa para a população será o metrô, que também está sofrendo com a quantidade de usuários. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros e das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros do DF (Setransp e Sittrater-DF) aproveira o momento para informar, por meio de sua assessoria, que as empresas estão em um período de indefinição, tendo em vista que já estão sem reajuste de tarifas desde 1º de janeiro de 2006 e que algumas medidas prometidas pelo governo foram revogadas, como foi o caso da isenção de imposto sobre o óleo diesel. Essas medidas visavam diminuir a defasagem provocada pelo congelamento das tarifas.



Os empresários não garantem que poderão manter o acordo coletivo atual, podendo, a qualquer tempo, suspender algumas das conquistas do acordo. Segundo cálculo efetuado pelo Setransp-DF, a defasagem nas tarifas é de 28%. Considerando a situação atual, para assegurar o re-equilíbrio financeiro das empresas e atender à pauta de reivindicação, precisarão de reajuste superior a 28%. A última greve dos rodoviários foi em junho de 2008, mas o que mais marca essas paralisações do transporte público no DF são as reivindicações, pois devido ao aumento de salário, todas as passagens aumentam, um ônibus de ligação que custa hoje três reais já chegou a custar dois, e o mesmo acontece com os de circulação que hoje é de dois reais e já chegou a custar 50 centavos. O gasto com passagem para um trabalhador que recebe um salário mínimo pesa cerca de 20% do salário, além das condições de conservação de certos ônibus, que estão sempre cheios.


Comentário: é impressão minha ou parece que já tava combinado? Funciona assim, funcionários fazem greve, e os patrões, como não têm condições de dar uma proposta decente, acham que atingindo o nosso bolso será o único meio de conseguir resolver a crise. É de lascar !!!!



Parte 2 - Avanço do Crack

Números que assustam
Morte anunciada: Um em cada três usuários de crack morre nos primeiros cinco anos de consumo da droga, segundo estudo da Unifesp. Veja as principais causas da morte.








Surgido nos Estados Unidos, o crack é, grosso modo, a cocaína em pedra, para ser fumada em cachimbos ou latas. Ao ser tragada, a droga atinge os pulmões e entra na corrente sanguínea instantaneamente, chegando ao cérebro em menos de dez segundos, ao contrário da cocaína em pó, que leva cerca de dez minutos para fazer o trajeto. “Ao tragar, o barato é instantâneo. E, para piorar, curto”, conta o psiquiatra Jorge César Gomes de Figueiredo, da clínica Vitória, em Embu, a 30 quilômetros da capital. “Você sempre quer mais e mais”, confirma Gabriel Mori, há pouco mais de três anos “limpo” — termo usado pelos viciados para definir os abstinentes. Morador do Butantã, Mori, 26 anos, empresário, é o retrato da realidade ainda pouco conhecida no universo do crack.
Antes relegada às classes mais baixas e simbolizada pela Cracolândia, no centro da cidade, a droga na última década ascendeu socialmente e passou a atingir em cheio as classes A e B. Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que, entre 2006 e 2008, o número de usuários com renda familiar acima de 10 000 reais aumentou 139,5%. Não há estatísticas mais recentes, mas em clínicas especializadas na recuperação de dependentes químicos o sinal vermelho se acendeu faz tempo.
Os “craqueiros” são maioria em vários centros de recuperação visitados pela reportagem. Na década passada, eles não chegavam a 10%, segundo os donos das clínicas. “Quem se vicia no crack praticamente larga as outras drogas”, diz o psicólogo Sérgio Duailibi, diretor administrativo da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniad). “Para diminuir a fissura, vez ou outra, o usuário mistura o crack com a maconha ou com a bebida”, afirma Solange Nappo, pesquisadora e professora de psicobiologia da Unifesp. A “tática” de misturar o crack à maconha (chamada pitilho, ou piti) pode, por outro lado, fazer com que ele subestime o poder da droga.
Nas páginas policiais, o crack também ganhou espaço na última década. De 2006 a 2009, a apreensão da droga pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) subiu de 450 para 1 123 quilos, um aumento de 150%. Porcentualmente em relação às demais drogas, o número de apreensões ainda é baixo (2,6%), mas é preciso colocar na conta boa parte da cocaína apreendida, já que o crack é produzido a partir da pasta-base da coca ou da cocaína em pó. Os traficantes, como bons comerciantes, perceberam que vale a pena diversificar o leque de produtos. Hoje, o crack está presente em qualquer ponto de venda de droga.
Continua...

Diagnóstico do avanço do crack

Segue impressionante reportagem sobre o avanço dessa droga maldita na maior cidade do país. A matéria é da VEJA - São Paulo.



As histórias contadas por usuários e ex-usuários de crack são chocantes. Sempre. Quem cai nas teias dessa droga derivada da cocaína tem em um curto espaço de tempo a saúde devastada, as relações sociais destruídas e a vida destroçada. São depoimentos crus, sem meias palavras, que humanizam estatísticas cada vez mais alarmantes. Dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostram um crescimento de 42% no número de viciados em crack que procuraram tratamento entre 2005 e 2009 no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad).
Os relatos têm suas evidentes particularidades, mas se parecem ao mostrar que o usuário mergulha em total perda de contato com a realidade e em uma tamanha dependência que nada, absolutamente nada, é mais importante do que a próxima pedra a ser fumada. Emprego, amigos e família (pais, cônjuge e até os próprios filhos) desabam na escala de valor de quem está possuído pela droga. “O crack é a droga da amoralidade. Faz o usuário virar um homem de Neandertal”, afirma o psiquiatra Pablo Roig, especialista em dependência química e dono da clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra — lá, 60% dos pacientes internados são viciados em crack; até 2000, essa estatística beirava zero. “Na boca, tem sempre mais gente vendendo crack do que outras drogas. Parece fila do McDonald’s”, diz João, 25 anos, estudante de engenharia, filho e neto de médicos, que há um ano e dois meses tenta largar o vício na Greenwood e paga 500 reais pela diária.
A degradação acontece em uma velocidade incontrolável. Em menos de um mês, o fumante deixa de ser um ingênuo calouro em busca de novas sensações para se tornar usuário contumaz, viciado e entregue aos efeitos devastadores da droga. Ao contrário do que ocorre com a maconha, com o álcool e mesmo com a cocaína, que, apesar do perigo extremo, demoram mais para provocar danos degradantes, o crack causa prejuízos em curtíssimo espaço de tempo.
Segundo estudo do psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo, 30% dos dependentes de crack morrem antes de completar cinco anos de uso. “É um índice maior que o da leucemia e de outras doenças graves”, alerta. As causas dos óbitos vão além dos malefícios da droga no corpo — para conseguir saciar o vício, o usuário perde a noção do perigo e envolve-se constantemente em situações de alto risco. “Mais da metade dessas mortes foi decorrente de confrontos com traficantes ou policiais.” A destemida busca pelo crack é acarretada pelo seu elevado e incomparável potencial viciante. “É raríssimo encontrar alguém que o use apenas social e esporadicamente”, diz a psicóloga Fátima Padin, especialista em dependência química e proprietária da Clínica Alamedas, nos Jardins. “Quem prova uma vez fatalmente vai querer usar de novo e de novo e de novo.” A sujeição cega deve-se ao imediatismo de seu efeito.

Continua...