quinta-feira, 26 de abril de 2012

Capitais brasileiras não têm calçadas transitáveis




Nenhuma das 102 ruas de alta circulação de pedestres em 12 capitais brasileiras analisada em um estudo, divulgado hoje (26) pelo portal Mobilize Brasil, tem uma situação das calçadas considerada satisfatória. O resultado está no levantamento Calçadas do Brasil, feito com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e autoridades para a necessidade de se cuidar das áreas destinadas aos pedestres e, assim, garantir a mobilidade urbana a todos os cidadãos.

As cidades analisadas foram Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Goiânia, Salvador, Fortaleza, Natal, Recife e Manaus. O levantamento começou a ser feito em fevereiro e é a primeira ação de uma campanha para convocar as pessoas a denunciarem a má conservação das calçadas.

Uma das ferramentas da campanha é o site www.mobilize.org.br, que possui um espaço para que qualquer cidadão avalie as calçadas de sua cidade, inclusive com fotografias. A ideia é reunir o maior número de avaliações e criar um mapa que será entregue ao Ministério Público. “ Vamos montar esse mapa, fazer algumas caminhadas, preparar um documento e encaminhar às autoridades pedindo resposta e ações com relação a esse assunto”, disse o coordenador do levantamento, Marcos de Souza.

Em todas as vias foram encontrados problemas como buracos, imperfeições do pavimento, remendos feitos depois de serviços de concessionárias, faltas de rampa de acessibilidade, degraus e obstáculos que impedem a passagem. Os locais foram indicados por colaboradores que fotografaram a calçada e deram notas para os itens irregularidades no piso, largura, degraus e obstáculos, rampas, iluminação e sinalização, além do paisagismo.

“Quando falamos em paisagismo, falamos de proteção ambiental, ter sombra, criar condições para que as pessoas circulem de maneira agradável. Pode-se ter uma calçada perfeitamente lisa e nivelada, o que já seria muito bom, mas se a calçada também tiver uma proteção contra o sol, a caminhada será feita com muito mais tranquilidade”, explicou.

Em Brasília, foram citadas calçadas de cinco pontos de maior movimento. O lcal considerado mais crítico na capital federal é  a via W3 (Sul e Norte). Confira todos:

Esplanada dos Ministérios (entre a catedral de Brasília e  o Congresso Nacional)

Muito movimentada nos horários de pico por causa dos servidores públicos que se deslocam até a Rodoviária do 
Plano Piloto: As calçadas são bastante largas; no entanto, irregularidades são comuns e a grama cresce excessivamente entre as placas de concreto do pavimento. Além disso, nem todas as calçadas possuem rampas de acesso para cadeirantes e muitas delas estão estragadas.

Rodoviária do Plano Piloto (terminal e plataforma superior)

Terminal de onde partem e chegam as principais linhas de ônibus do Distrito Federal, inclusive as que fazem ligação do Plano Piloto com o Entorno. A plataforma superior dá acesso a um dos principais shoppings da cidade e a vários prédios comerciais e empresariais: A calçada da plataforma superior é exemplo no que diz respeito a largura e regularidade, mas deixa a desejar no quesito paisagismo. Já no terminal dos ônibus, chama atenção a ausência de estrutura para o embarque de deficientes físicos.

Setor Comercial Sul

Região onde há grande concentração de lojas, empresas, sindicatos e associações: Grande quantidade de degraus entre uma quadra e outra, além de iluminação deficiente.

Setor Hoteleiro

No Setor Comercial Sul concentram-se os mais tradicionais hotéis de Brasília. Ponto forte é a acessibilidade. Quase todos os cruzamentos possuem rampas para cadeirantes com piso podátil. Iluminação precária.

W3 Norte e Sul

Avenida onde se concentram lojas, escolas e empresas: muitas irregularidades e buracos nas calçadas. Ausência de faixas de pedestres e rampas em vários pontos. Lado oeste da pista com muitos degraus.  Iluminação muito ruim. Além disso, os pedestres ainda correm riscos por causa das marquises em péssimas condições.


Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br, com informações da Agência Brasil

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Internautas elegem corrupção como o maior problema de Brasília

Muito a propósito essa pesquisa do Jornal de Brasília. Leiam os resultados. Volto em seguida.

Quais seriam os pecados capitais de Brasília? Quais são os maiores problemas enfrentados pela população do Distrito Federal nesses 52 anos? O Jornal de Brasília fez essa pergunta a diversos especialistas e aos internautas e descobriu que a corrupção é o que mais incomoda o cidadão brasiliense.

Temas como o desemprego, saúde, educação e desigualdade social foram levantados por profissionais de todas as áreas, mas a população elegeu a corrupção como seu principal percalço. De acordo com a enquete no portal Clicabrasília, esse é o maior pecado de Brasília, com 56,29% dos votos. Em seguida estão a violência urbana, com 9,66% das opiniões coletadas pelo site, o  trânsito e o transporte público (9,96%) com o mesmo percentual. Depois, vêm o sistema de saúde (9,28%), a ocupação irregular de terras (7,37%), a desigualdade social (3,3%) e a escassez de água (0,13%). Para grande parte dos especialistas que comentaram os dados, todos os fatores estão interligados. O professor de ciência política da Universidade de Brasília (Unb), David Fleischer, acredita que a preocupação com a corrupção está especialmente no reconhecimento da má conduta política como um fator de falência de todos os outros serviços públicos.

“A população sente na pele, no dia a dia de Brasília, todas essas áreas citadas. Ela carece de um melhor tratamento e percebe que tem recursos até abundantes, pois Brasília recebe grande verba do Governo Federal. A educação, a segurança pública e a saúde são bem abastecidas, mas ainda assim, não é suficiente para colocar a máquina pública para funcionar. Isso por causa da corrupção. A população sente isso, especialmente a de baixa tenda que precisa do SUS (Sistema Único de Saúde), por exemplo, para ser atendida”, analisa o cientista político. 

Já o especialista em saúde pública e professor de medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB), Roberto Bittencourt, a descentralização dos postos de trabalho precisa estar no cerne da questão. Segundo ele, seria necessário começa a criar um conceito novo, em que as pessoas trabalham e moram em locais próximos. “É um problema que acaba desencadeando outros, como: transporte, saúde, falta de opção de lazer, insegurança, criminalidade e acesso a drogas”, considera Roberto Bittencourt.

Voltei. A corrupção, como bem demonstrou a pesquisa, é de longe, a maior praga que uma nação pode enfrentar. A população está cansada, e cada vez mais antenada com a realidade, principalmente a juventude. No momento em que pipocam escândalos em quase todo o país, fica mais claro que somente a mobilização consciente, pacífica e objetiva da população cidadã, pode estancar essa avalanche de obscenidades cometidas na política brasileira. Tenho certeza de que se não chegamos ao fundo do poço, estamos bem próximos dele. 

Nada mais atual e oportuno do que a célebre frase do militante Martin Luther King: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. Se você pode, e também não se conforma com essa situação, participe de uma das manifestações do "Dia do Basta" que ocorrerá no próximo dia 21 de abril, em várias cidades brasileiras. O movimento tem como objetivos o enquadramento da corrupção como crime hediondo, o fim do foro privilegiado, além do fim do voto obrigatório. Mostre a sua indignação como cidadão, se não puder estar presente, mande mensagens pelas redes sociais, promova debates com amigos, sei lá, mas façamos alguma coisa... Está em nossas mãos.

Ou pára a corrupção ou paramos o Brasil!!!!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Velório de Aniversário


Dia 21 – além de ser o dia das mortes de Tiradentes, Tancredo Neves e Luís Eduardo Magalhães – é também o aniversário de Brasília. Esta deveria ser a nota alegre a suavizar as três perdas humanas citadas. Mas não haverá nota alegre, apesar de cantorias programadas pelo governo do Distrito Federal, com Michel Teló à frente, cantando, supõe-se, “Ai se eu te pego”.

Haverá, sim, constrangimento, pois na mesma praça do Museu Nacional em que haverá na noite de sábado o show musical, a partir das 10 horas da manhã vão se concentrar manifestantes convocados pelo Movimento Brasil Contra a Corrupção para empreender a 3ª Marcha Contra a Corrupção na Esplanada dos Ministérios. “Ai se eu te pego” bem poderá se transformar em uma excelente palavra de ordem da manifestação. ...

O ambiente na capital federal é propício a esse hit da moda.

O STF se prepara para tentar julgar o processo do Mensalão. Mas várias coisas, manemolência do ministro revisor Ricardo Lewandowski, manobras políticas e argumentos jurídicos já rejeitados antes pelo Supremo – coisas que estão no noticiário – conspiram para evitar o julgamento ainda este ano (o que resultaria na prescrição de crimes imputados a numerosos réus) e para um eventual desdobramento do processo e o envio de muitos réus sem o foro privilegiado do STF a outra instância, o que retardaria os trâmites judiciais mais ainda.

Contribui para esse ambiente o arranca-rabo da CPI da Cachoeira. É que o PT, sob o decidido estímulo do ex-presidente Lula, entrou pressurosamente em campo para assegurar a criação da CPI mista de deputados e senadores, ávido para fornecer a Lula o instrumento de vingança contra o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo. Este avisara Lula da existência do Mensalão e como o então presidente nada teria feito a respeito, Perillo o responsabilizou. A CPI também teria para muitos a grande vantagem de desviar a sociedade do foco no processo do Mensalão.

Acontece que a presidente Dilma Rousseff foi, segundo dá conta o noticiário, interrompida em sua laboriosa faxina ética pelo aviso de que, pela cachoeira da CPI, poderá escorregar espetacularmente o governo. Apesar da esmagadora maioria governista no Congresso Nacional, a CPI pode, sob forte pressão social, ficar fora de controle. E há muitos problemas, incluindo a Delta Construções S/A – considerada pela mídia como a empreiteira que mais atua no PAC. Até uma impressionante gravação, com a voz de seu dirigente maior explicando como é fácil corromper políticos, acaba de ter seu áudio divulgado.

A partir de coisas assim, a presidente Dilma conversou com o presidente Lula na sexta-feira e o tema teria sido abordado. No PT e no governo já se fala que o ex-presidente teria se precipitado. E nesse ponto é que entra o líder do partido no Senado, o baiano Walter Pinheiro, sugerindo que se o STF – ao qual novo pedido será feito – enviar ao Conselho de Ética do Senado documentos que demonstrem que a Polícia Federal já fez o que a CPI faria, a CPI pode ser posta no lixo: “Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe”.

O senador adverte muito apropriadamente. Podem dizer, sim. Porque é golpe mesmo. E dos mais vergonhosos.

Estando as coisas como estão, Brasília não vai fazer uma festa de aniversário, mas um velório de aniversário.

Por Ivan de Carvalho


Fonte: Por Gama Livre / Tribuna da Bahia - 17/04/2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Adolescentes do Caje vivem em um dos piores centros do País


O Distrito Federal apresentou a maior concentração de adolescentes infratores do País por unidade de internação, com uma média de 163 jovens para cada uma das unidades. Quando analisada a sobrecarga do sistema, o Distrito Federal também foi um dos primeiros no ranking dos piores, atingindo 129% da taxa de ocupação média, enquanto a média nacional foi de 102%.

Além disso, o DF ficou em quarto lugar, junto com Sergipe, no número de saídas não autorizadas das unidades de internação, com o registro de 25% dos adolescentes que fugiram ao menos uma vez dos centros. Ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul (48%), Santa Catarina (31%) e Roraima (29%).

Os números levantados pela pesquisa Panorama Nacional – A Execução das Medidas Socioeducativas de Internação, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comprovaram apenas uma realidade já conhecida por todos. O Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) foi considerado pelo levantamento o caso mais crítico do Centro-Oeste quanto à superlotação de internos infratores, e um dos piores em âmbito nacional. No local, 380 jovens convivem em um espaço destinado a apenas 160 adolescentes. A superlotação e a estrutura precária tornam o Caje impróprio até mesmo para as atividades  rotineiras, como dormir, comer e estudar.
Soluções

Os coordenadores da pesquisa apontaram ao longo do estudo que uma das soluções a médio e longo prazos para reverter o estado crítico do atendimento aos adolescentes infratores no DF  seria a construção de novos centros de atendimento, e o “fechamento urgente do Caje”. Medidas que não saíram do papel desde o início da pesquisa, em julho de 2010, até a  sua conclusão, em outubro do ano passado.

Das cinco novas unidades de internação prometidas pelo GDF no ano passado, três já foram licitadas, segundo a Secretaria da Criança e do Adolescente. Estão previstas para serem construídas em Brazlândia, Santa Maria e São Sebastião.  A expectativa do GDF é de que as três novas unidades estejam em funcionamento no início de 2013.

Fonte: Jornal de Brasília

O Apedeuta botou fogo para ter CPI antes de saber a exata extensão do “cachoeirismo”; agora petistas falam em melar comissão, mas não sabem como

O Apedeuta botou fogo para ter CPI antes de saber a exata extensão do “cachoeirismo”; agora petistas falam em melar comissão, mas não sabem como

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sarney e Maia decidem que caso Cachoeira terá CPI mista




Em reunião na tarde desta terça-feira, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiram criar uma CPI mista para investigar as relações entre o empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares. 

Ainda hoje Sarney começará a conversar com os líderes dos partidos no Senado sobre o assunto e Marco Maia fará o mesmo na Câmara. Ficou decidido que será construído um texto conjunto que valerá tanto na Câmara como no Senado para tratar do tema.

— Não há necessidade de ter uma CPI lá e outra cá, pois uma CPI mista é que terá condições de investigar as ligações de Cachoeira com parlamentares, Executivo, Judiciário e parte da imprensa — disse.

Maia afirmou que a CPI de Cachoeira deve ser instalada no início da próxima semana, depois que seja feita a coleta de assinaturas dos parlamentares. É preciso obter, no mínimo, 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

Questionado se não teme que as investigações cheguem ao governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, Maia afirmou:

— Quem estava na lista de contatos deve estar muito preocupado. Mas a pessoa sabia do risco que corria.
 
 Também nesta terça o colégio de líderes da Câmara, que reúne todos os partidos na Casa, havia decidido pela instalação da CPI para investigar o envolvimento de políticos com Cachoeira, preso na operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF).

Os líderes concordaram com Maia de que o melhor caminho seria uma CPI mista, com deputados e senadores, para facilitar o trabalho e evitar disputas entre as duas comissões.

— Há uma rara unanimidade aqui — afirmou o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), após a reunião.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), defendeu pressa para a criação da CPI. Ele disse que a instalação tem de ocorrer logo para evitar que o calendário dos trabalhos da comissão atinja o período eleitoral.

Agência Estado

Rodrigo Rollemberg lamenta ‘situação de abandono’ de Brasília



Muito significativo o discurso do Senador Rodrigo Rollemberg ontem no Senado Federal. Em fala contundente ele criticou o desgoverno de Agnelo Queiroz à frente do governo da capital federal. O fato de um aliado político fazer ataques dignos de oposição, é um alerta para a falta de articulação política e total falta de habilidade para contornar situações de crise.


Leia abaixo o resumo do discurso.


Em pronunciamento nesta segunda-feira (9), o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) lamentou a situação da capital do país, classificada por ele como ‘de completo abandono’. O senador disse que o sentimento quase unânime da população do Distrito Federal é de tristeza, indignação e decepção. Segundo Rollemberg, no mês em que Brasília comemora 52 anos de fundação, o que se vê é a degradação da qualidade de vida da cidade.

– Estamos vivendo uma sensação de abandono. Em qualquer lugar para o qual olhamos, a situação beira a tragédia – afirmou.
Segundo o senador, índices que comparam a violência no DF em 2011 mostram aumentos de 13% no número de homicídios em relação ao ano anterior; de 26% no de estupros; e de 33% nas ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas. Rollemberg disse que foram 722 homicídios no ano passado.
– O mais trágico e assustador é que, ao que tudo indica, o ano de 2012 vai superar o ano de 2011. É um cenário de guerra civil – criticou o senador, registrando que, só em março deste ano, houve 88 homicídios no DF.
Segundo o senador, não há indicação de que o governo do Distrito Federal esteja fazendo algo para mudar a situação. Na visão de Rollemberg, as invasões em áreas de proteção ambiental, o aumento das “cracolândias”, a “operação tartaruga” da Política Militar e a greve de professores – que já completou um mês – aumentam a situação de degradação de Brasília.
Rodrigo Rollemberg disse que a bancada do DF no Senado já se colocou à disposição do governador Agnelo Queiroz (PT) para dar sugestões e colaborar em ações. No entanto, disse o senador, não houve sequer uma convocação. Rollemberg ainda lamentou que, dos 30 administradores regionais de Brasília, 13 não moram na cidade que administram. Ele lembrou que uma proposta de emenda à Constituição de sua autoria prevê a eleição direta para administradores regionais (PEC 29/2011).
– Eu tenho fé que Brasília vai superar este momento difícil. O que me move é um profundo sentimento de amor por esta cidade – disse Rollemberg.
Em aparte, o senador Anibal Diniz (PT-AC) disse que deve servir de reflexão o fato de “vozes aliadas” começarem a criticar a situação. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) elogiou o pronunciamento do colega e criticou os compromissos do governador. Segundo Cristovam, Agnelo faz um governo “emperrado”, baseado em um modelo político velho.
– Se o governador não tem condições de mudar o atual quadro, o Distrito Federal tem. É preciso um plano para salvar esta cidade – afirmou Cristovam.
O não-governo do viajante Agnelo, que deixa sem solução uma greve de professores há quase 30 dias, é comprovado pela intervenção branca que o 1º escalão petista federal tem feito no GDF, na tentativa de melhorar um pouco a imagem do governador como administrador. A nomeação de Swedenberger Barbosa, homem forte das campanhas eleitorais de Lula, para a Casa Civil é um exemplo disso.
O "Novo Caminho" se mostra a cada dia, um caminho que vai dar num beco sem saída. O desabafo de Rollemberg na tribuna do Senado Federal, pode significar muitas coisas, inclusive uma chance para que ele possa protagonizar o pleito de 2014, na falta de candidato para enfrentar Agnelo, mas expressa, também, o sentimento da população de Brasília: abandono total e descaso em todas as áreas do governo que dizem respeito direto ao bem estar da população.
Com informações da Agência Senado.

terça-feira, 3 de abril de 2012

2014 SEM DEFINIÇÕES FUNDAMENTAIS

Por Carlos Chagas

Aceita-se como regra o raciocínio de que eleições municipais  decidem-se em função de reivindicações e de queixas do eleitor relacionadas com o seu dia-a-dia. Rua esburacada,  sem asfalto, abastecimento de água precário, má escola   para os filhos, posto de saúde com falta de  médicos, ausência  de policiamento, cabine policial abandonada, transporte insuficiente e quanta coisa a mais  a infernizar a vida do cidadão comum levam-no a selecionar o candidato a prefeito e a vereador que mais prometa corrigir tais deficiências. Claro que nas capitais dos estados e em grandes cidades pesam outros fatores, aqui e ali até ideológicos e partidários, mas,  no geral, vota-se no candidato  diretamente disposto a superar a agruras de  cada um.   Admita-se que assim transcorrerão as eleições de outubro, na maioria do país.

Bem diferente  é o processo de escolha quando se trata de eleger o presidente da República, os governadores, deputados e senadores. Outros valores entram em consideração, não raro envolvendo diretrizes mais profundas. O eleitor é chamado a optar por políticas distintas, sejam nacionalistas,   neoliberais, socialistas ou puritanas. Sempre haverá a hipótese de se municipalizarem  as eleições nacionais, mas o normal é transcorrerem conforme debates distintos.

No passado o Brasil já apresentou lutas emocionados entre propostas de esquerda e de direita, reformismo ou conservadorismo, anti-comunismo e socialismo, economia de mercado ou estatizante, ditadura e democracia, tudo, evidentemente, sob lances de demagogia, histrionismo e corrupção, mas sempre sob inspirações maiores. Claro que com o personalismo dos candidatos minimizando  doutrinas ou, pelo menos, dando a elas cores populares.

Estamos a um passo das eleições gerais de 2014, e a pergunta que se faz é em torno de que postulados ou princípios maiores elas irão se ferir. O Lula elegeu-se sob a égide de o poder transferir-se para o andar de baixo. Um operário na presidência da República significava,  ao menos na teoria, conquistas  mais acordes com as necessidades das massas, acima e além da política anterior de Fernando Henrique, favorável às elites. Dilma veio na esteira da mesma aspiração majoritária,  ainda que oriunda da tecnocracia.

E em 2014? Qual o debate capaz de sensibilizar e polarizar o eleitorado?  Em condições normais de temperatura e pressão já era para as diversas correntes políticas estarem definidas, fosse com a manutenção das mensagens do PT, fosse com o plano de vôo dos tucanos ou outras correntes. O diabo é que até agora, nada. A única tendência captada na opinião pública até agora parece a rejeição à corrupção e à impunidade, mas os companheiros, por razões óbvias, fogem da hipótese de fazê-la o divisor de águas nacional. Estão governando há nove anos e se progrediram essas pragas, deve-se também a eles. Só que o PSDB não se anima, no Congresso e fora dele, a fazer da luta contra a roubalheira sua bandeira eleitoral. Pode ser por conta de o governo Fernando Henrique haver contribuído com sua parcela de culpa para o desenvolvimento da impunidade e da corrupção.

Sendo assim, caso não se inverta a equação, as duas maiores forças em condições de empolgar o eleitor mantém-se de braços cruzados. Perdem tempo e não encontram rumos para disputar as preferências populares, exceto uns prometendo continuar as coisas como estão e outros sem saber onde nem o que mudar. Pobres prenúncios...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Como está não pode ficar

O governador Agnelo Queiroz já deve ter conhecimento dos números da última pesquisa realizada pelo instituto O&P Brasil. E não deve estar nada satisfeito: apenas 16,3 dos brasilienses aprovam seu governo depois de um ano e três meses de gestão. O governo de Agnelo é desaprovado por 65,3% (quase dois terços do eleitorado) e 18,3% nem o aprovam nem o desaprovam.

A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 25 de março e mostra outros números que preocupariam qualquer administrador. Os que acham que o governo está sendo “ótimo” e “bom” são, respectivamente, 1,1% e 8,1% do eleitorado, somando 9,2%, o menor índice obtido em quatro pesquisas realizadas pelo mesmo instituto. Em maio de 2011, o “ótimo” e o “bom” somavam 19%, mas nos meses seguintes só houve queda. Já “ruim” (15,9%) e “péssimo” (43,5%) somam 59,4%. ...

O governo é mal avaliado principalmente pelas mulheres (59,7%), pelos de menor escolaridade (66,3%) e de menor renda (63,6%). A avaliação é negativa nas principais áreas específicas: habitação (12,4% x 59,2%), segurança (10,9% x 62,5%), educação (6,9% x 65,1%), transporte (6% x 74,2%) e saúde (6,1% x 74,3%).

Mas, simbolicamente, o que mostra melhor como vai mal o governo é que Joaquim Roriz é apontado como o melhor governador que o Distrito Federal já teve por 47,5% dos eleitores, seguido de José Roberto Arruda, com 31,1% e Agnelo com 13,3%. Para complicar, os 19,8% dos entrevistados que se declararam simpatizantes do PT mantêm a mesma ordem do conjunto dos eleitores, considerando Roriz o melhor governador (37,4%), seguido de Arruda (32,7%) e de Agnelo (24,5%).

Na segunda-feira anterior à realização da pesquisa Agnelo deu posse ao novo chefe da Casa Civil, Swedenberg Barbosa, e poucos dias depois anunciou um novo secretário do Planejamento, Luiz Paulo Barreto. Nesses dois, petistas que vieram do governo federal para o gDF – e em outras mudanças que certamente terão de ser feitas -- estão hoje as esperanças de que haja uma virada radical de rumos da administração local, com uma gestão mais competente. Porque se esses números permanecerem até o final do ano, o desastre para o PT em 2014 será inevitável.

A propósito, a presidente Dilma Rousseff vai bem no DF: 47,4% de aprovação, 31% de desaprovação. Levando-se em consideração que os servidores públicos estão sem aumento salarial, esses números são bons.

Fonte: Blog do Hélio Doyle - 29/03/2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Agenda põe o petista Agnelo Queiroz, de novo, sob suspeita

Por Fábio Fabrini, no Estadão;
Uma força-tarefa formada por Polícia Civil, Receita Estadual e Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) vai pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue se o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), recebeu dinheiro de um grupo farmacêutico acusado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de cartel e falsificação de medicamentos.
Desencadeada pelos três órgãos no ano passado, a Operação Panaceia apreendeu uma agenda com registros de contabilidade da diretoria do laboratório Hipolabor. Os dados apontam supostos pagamentos ao petista em 2010, ano em que deixou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para concorrer ao Palácio do Buriti.
O material, ao qual o Estado teve acesso, foi recolhido em abril, em buscas autorizadas pela Justiça em escritórios e nas casas de proprietários do grupo, que controla também o laboratório Sanval e a distribuidora Rhamis. A página referente a 24 de maio de 2010 traz a anotação “Agnelo”, ao lado de “50.000″. No dia 30, há outra anotação, aparentemente abreviada: “Agnelo: 50.”.
A PGR já analisa um vídeo no qual Daniel Almeida Tavares, lobista de outra indústria farmacêutica, a União Química, acusa o governador de receber propina, quando diretor da Anvisa, para liberar licenças para a empresa. Segundo o denunciante, o suborno de R$ 50 mil teria sido pago em 2008 - desse valor, R$ 5 mil teriam sido depositados diretamente na conta do petista. Agnelo admite o depósito, mas nega irregularidades. Diz que a quantia foi a devolução de um empréstimo feito a Tavares.
Evidência. A agenda apreendida na Panaceia, que contou com a colaboração de agentes da própria Anvisa e do Ministério da Justiça, seria a primeira evidência documental já apresentada do suposto esquema de propina na agência. No vídeo, Daniel diz que o pagamento era para a liberação do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), documento exigido para o registro de medicamentos e sua consequente comercialização. Sem ele, também não é possível participar de licitações e vender produtos para o Ministério da Saúde, Estados e municípios.
Em seu mandato na Anvisa, de 24 de outubro de 2007 a 1.º de abril de 2010, Agnelo assinou ao menos oito resoluções que beneficiaram as três empresas do grupo. Pela caneta do petista, elas receberam certificados de boas práticas.
Embora processado pela morte de pacientes que usaram seus produtos em dois Estados e com um histórico de medicamentos suspensos pela Anvisa por problemas de qualidade, o Hipolabor obteve de Agnelo o carimbo de “boas práticas de fabricação” por meio de duas resoluções, assinadas em 14 e 28 de agosto de 2009. Válidas por dois anos, as autorizações acabaram cassadas antes de expirar, em junho do ano passado, após a Panaceia.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 13 de março de 2012

Unesco avalia se Brasília deve manter título de Patrimônio Mundial

 

Uma missão de monitoramento do Centro do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) realizam, de hoje (13) a sábado (17) em Brasília, trabalho de avaliação sobre o estado de conservação da cidade. O objetivo é verificar se há condições de a capital ser mantida na lista de Patrimônio Mundial.
    
Nas reuniões, os especialistas vão avaliar os projetos sobre as áreas tombadas, o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) e as ações de fiscalização na região central, além de políticas públicas. Para o governo do Distrito Federal (GDF), a preservação do título de Brasília como patrimônio da humanidade é considerada prioridade.

O GDF informou que no fim do ano passado o PPCub estava em fase de conclusão. Em 2012, foi instituído pelo governo local o Ano de Valorização de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade - título concedido em 1987. O PPCub envolve a preservação, o planejamento e a gestão do conjunto urbanístico de Brasília.

A missão da Unesco e do Icomos vai avaliar ainda se estão mantidas as características fundamentais das superquadras, que definem por exemplo a predominância de áreas livres arborizadas e equipamentos de uso comunitário, como os parquinhos para as crianças. Também vai observar se nos arredores do Lago Paranoá há áreas para recreação, lazer, cultura, esporte e turismo.
    
Serão observados ainda se o plano original de Brasília, definido por Lúcio Costa para setores destinados apenas às casas e prédios com menos de seis andares, é respeitado. Também será analisada a área que é comercial – se os espaços verdes obrigatórios são preservados.

De acordo com o GDF, Brasília detém a maior área tombada do mundo (112,25 quilômetros quadrados), sendo o único bem contemporâneo que faz parte da lista de Patrimônio Mundial. No esforço de manter o título, concedido há 25 anos, o governo local criou um comitê executivo para cuidar exclusivamente do tema.
Fonte: Jornal de Brasília