Não é nenhuma novidade que, a cada dia que passa, as mulheres ganham mais e mais espaço no mercado de trabalho. De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, divulgada no início deste ano, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho passou de 55,1%, em 2007, para 56,4%.
Em que pese toda a satisfação que sinto com esse fato, fico preocupado quando vejo um índice como esse e penso na educação de nossas crianças. Sim, porque sabemos do papel fundamental que as mulheres desempenham na educação dos filhos. Gostaria de reiterar a necessidade de implantarmos escolas de tempo integral, em todos os níveis, do maternal até o ensino médio, a fim de que nossas crianças e nossos jovens possam usufruir de uma educação de qualidade.
Ressalto que a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.º 9.394/96), em seu artigo 34 já prevê essa modalidade de ensino, ao mencionar que "o ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino".
De fato, a escola de tempo integral possui diversas vantagens em relação ao sistema que hoje adotamos. Oferece tranqüilidade aos pais, sobretudo à mãe, sabendo que pode trabalhar tranqüila porque seu filho está na escola e evita que nossas crianças e jovens fiquem pelas ruas nas horas vagas, quando podem estar sujeitos a más companhias. Essas vantagens são tão claras que diversos países do mundo adotam o sistema de educação integral.
O Chile, por exemplo, é um desses países. Lá, 85% das escolas são em regime integral. Não por acaso, o Chile foi o país latino-americano melhor colocado no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) nos últimos três anos. Naquele país, a taxa de evasão na educação primária, equivalente ao nosso ensino fundamental, é de pouco mais de 1% e o analfabetismo atinge 3,8% da população maior de 15 anos. No Brasil, este índice é de 10%. Além disso, as crianças chilenas entram na escola aos seis anos e cumprem obrigatoriamente 12 anos de estudos, até o ensino secundário.
No Brasil, o ensino médio ainda não é obrigatório e a escolaridade compreende apenas a faixa etária dos sete aos 14 anos. Nunca é demais repetir: dinheiro gasto em educação é investimento! Não há como inserir o Brasil no rol dos países mais competitivos do mundo sem uma educação de qualidade.
Portanto, faço um apelo à sensibilidade do ministro da Educação, Fernando Haddad e ao próprio presidente Lula, para que estudem com carinho a possibilidade de implantarmos, o quanto antes, em nosso País, o sistema de educação em tempo integral a partir do maternal. Só assim, poderemos garantir uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens, dando segurança às mulheres para trabalhar com dignidade e ganhar o pão de cada dia.
* Gim Argello é Senador pelo PTB do Distrito Federal
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